Por Sabrina Bittencourt:

Venho recebendo uma série de relatos de outros supostos crimes cometidos pelo médium João Teixeira, vulgo João de Deus há poucos dias.

Algumas delas tem a ver com uma possível “máfia da morte”, assim as pessoas locais têm chamado, com devotos e pacientes doentes estrangeiros, onde me contaram com detalhes que João de Deus teria um acordo com as funerárias locais para fazerem a gestão de seguros saúde internacional, superfaturando os valores dos serviços prestados para que os estrangeiros fossem enterrados em Abadiânia.


Trata-se sem dúvida de um procedimento que precisa de investigação pelas autoridades da Polícia Civil ou Federal, diretamente na Casa Dom Loyola, com o cartório local, que emite os atestados de óbito, o cemitério da cidade para verificação da quantidade de estrangeiros enterrados em Abadiânia e certamente com ditas funerárias.


Segundo estes relatos, João de Deus “aceleraria” o procedimento das mortes destes pacientes com câncer (ou outra doença grave) e ele alegaria aos parentes das supostas vítimas estrangeiras como “estado de saúde terminal”, oferecendo toda a logística local para que os corpos não fossem transladados aos seus países de origem. Os parentes então, enviavam os dados das seguradoras, as funerárias colocavam um preço bastante acima do praticado no mercado e todos ganhavam sua comissão, porque para as seguradoras saía mais barato do que transladar os corpos.


Perguntei a algumas pessoas desde quando existe esta prática e me confirmaram que desde a década de 90 a população local tem ciência da prática. Parece ser que guias espirituais estrangeiros, encarregados de levar para a Casa Dom Loyola os pacientes e devotos com doenças graves, também eram orientados a fazer os pacientes assinarem um termo de responsabilidade isentando a João de Deus e funcionários da Casa de qualquer consequência por escolher este tipo de atendimento terapêutico.

Compartilho estas informações, no intuito de facilitar e favorecer uma ampla investigação para salva-guardar o direito dos familiares estrangeiros de ter informações mais detalhadas referente ao falecimento de seus entes queridos e eventualmente que as Embaixadas da Holanda, Austrália, Estados Unidos, França, Alemanha, Áustria, Suíça (países com maior número de estrangeiros devotos de João de Deus) possam solicitar formalmente uma resposta enquanto a estas suspeitas às autoridades brasileiras.

Agradeço a atenção imediata e me coloco à disposição para responder qualquer pergunta que não coloque em risco a identidade dos cidadãos de Abadiânia que desejam colaborar com a justiça.

Sabrina Bittencourt. Ativista social, porta-voz das denunciantes do COAME – Contra o Abuso no Meio Espiritual
www.coamebr.tk