Gostaríamos de expressar nosso apoio e solidariedade à ocupação da Fazenda Agropastoril Don Inácio, pertencente a João Teixeira (conhecido como “João de Deus”) realizada por mais de 800 mulheres do Movimento Sem Terra e do Movimento Camponês Popular iniciado hoje. João foi um dos primeiros casos de denúncias públicas apoiadas pelo COAME, e é acusado por mais de 500 mulheres por abuso e outros crimes como tráfico humano e mineração ilegal. Encontra-se preso desde 16 de Dezembro de 2018.

O dia começou para nós com a surpresa da notícia e hashtag #PorTodasNós, já deixando clara a posição do MST e MCP em solidariedade ao COAME e a todos os movimentos de mulheres. Mais tarde, no mesmo dia, em uma conversa entre representantes dos dois movimentos (COAME e a ocupação do MST e MCP) foi emocionante constatar de ambos os lados como o abuso contra a mulher e o abuso contra a terra andam lado a lado tantas e tantas vezes em diferentes contextos sociais. Muitas das mulheres desses movimentos também são sobreviventes de abusos. Estamos juntas

João Teixeira durante décadas concentrou terras improdutivas, desrespeitando qualquer tipo de lei ambiental, conquistadas mediante a exploração corrupta da fé e do trabalho das mulheres e homens, e fez delas cenário dos mais diversos horrores e abusos com milhares de pessoas. Segundo o MST, a terra com mais de 600 hectares está ‘sob júdice’ é apenas uma das seis fazendas declaradas pelo medium.

A Constituição prevê o direito à terra e moradia a todos os brasileiros e estabelece a reforma agrária como política legal a ser incentivada pelo Estado. No Título VII, Capítulo III “Da Política Agrícola e da Reforma Agrária” artigo 184, lê-se:

“Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrágia, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social…”

Art 184 do capítulo “Da Política e da Reforma Agrária”.

A ocupação do latifúndio por essas mulheres desses movimentos são portanto, um direito garantido em Constituição, e não poderia ser um destinamento mais justo e simbólico para essas terras.

A História e a vivência estão aí para nos mostrar que: Onde há exploração da terra, há exploração da mulher. Onde o homem abusa da terra, encontraremos também abuso da mulher.

É hora deste tempo acabar.

Toda nossa solidariedade à Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra.

Juntas somos mais fortes.

#PorTodasNós

#Coame #MST

EQUIPE COAME